Olá a todos! Como é que estamos hoje? Espero que bem!
Já pararam para pensar o quanto o mundo à nossa volta, aquele que vemos todos os dias, impacta a nossa mente e o nosso estado de espírito? Eu, por exemplo, sinto uma diferença enorme quando estou no meio da natureza, em contraste com o bulício da cidade.
Mas ultimamente, não são só os ambientes que escolhemos que nos afetam. As grandes mudanças físicas no nosso planeta estão a ter um peso enorme na nossa saúde psicológica, e nem sempre nos damos conta.
Em Portugal, e pelo mundo fora, estamos a viver mais eventos climáticos extremos – ondas de calor escaldantes que nos roubam o sono, secas que preocupam, e a poluição que, de mansinho, afeta o nosso bem-estar.
Não é de estranhar que termos como “eco-ansiedade” estejam cada vez mais presentes nas conversas, especialmente entre os mais jovens, que olham para o futuro com uma mistura de medo e incerteza.
Afinal, quem não se sente um pouco apreensivo com as notícias que nos chegam diariamente? É uma realidade que a nossa mente e as nossas emoções estão a reagir a estas transformações ambientais.
Desde o stress de viver num ambiente urbano caótico até à tristeza pela perda de espaços naturais, tudo isso nos toca profundamente. Entender esta ligação vital entre o ambiente e o nosso bem-estar mental é mais crucial do que nunca.
É por isso que, por aqui, adoro explorar como podemos não só sobreviver, mas prosperar, nestes tempos de mudança. Vamos desvendar juntos como estas transformações moldam o nosso interior e, mais importante, o que podemos fazer para cuidar da nossa mente neste cenário.
Abaixo, vamos descobrir tudo em detalhe!
O Sussurro da Preocupação: A Eco-Ansiedade no Dia a Dia

A sério, quem nunca sentiu aquele aperto no peito ao ver as notícias sobre as alterações climáticas? Eu confesso que já me apanhei várias vezes a perder o sono a pensar no futuro do nosso planeta.
É uma sensação estranha, uma espécie de medo difuso que se instala e que os especialistas já chamam de eco-ansiedade. Não é uma doença, é importante frisar, mas é uma resposta perfeitamente natural e, diria eu, até saudável, à crise ambiental que vivemos.
É como se o nosso corpo e a nossa mente estivessem a dar o alerta para algo que é real e que nos afeta a todos, sem exceção. É o sentir a incerteza do amanhã, a perda de ecossistemas que tanto amamos e até a vergonha ou culpa pelo nosso próprio impacto.
Sinto que, por vezes, somos bombardeados por tanta informação que fica difícil processar tudo, e essa sobrecarga pode levar a um estado de preocupação constante.
Já experimentaram? Aquela sensação de que estamos a caminho de um ponto de não retorno, e que, individualmente, o nosso poder é tão pequeno… Mas será mesmo assim?
Acho que não. O primeiro passo é reconhecer que esta ansiedade existe e que é válida.
Quando a Previsão do Tempo Afeta o Nosso Humor
Lembram-se daquele verão escaldante que tivemos há pouco tempo? As ondas de calor em Portugal já não são novidade, mas a intensidade e a duração delas sim.
Eu, que adoro o sol, confesso que este ano já me senti esgotada, irritada e até com dificuldades de concentração por causa do calor extremo. Não é só o desconforto físico; é o impacto na nossa rotina, na nossa produtividade e, claro, no nosso humor.
Sentimos o ar mais pesado, as noites quentes impedem um sono reparador e, sem nos darmos conta, estamos mais vulneráveis ao stress e à irritabilidade.
A verdade é que o clima e o tempo atmosférico, que antes eram apenas temas de conversa trivial, agora parecem carregar um peso emocional muito maior, fazendo-nos sentir mais apreensivos e, por vezes, até deprimidos.
A Geração Z e o Peso do Futuro Climático
Tenho notado, especialmente entre os mais novos, uma preocupação genuína e, por vezes, avassaladora com o estado do planeta. A Geração Z, que já nasceu e cresceu com a urgência da crise climática, carrega um fardo pesado.
Eles veem e sentem as consequências das nossas ações de forma mais direta, e isso reflete-se na sua saúde mental. Muitos jovens sentem que o futuro lhes foi roubado, que as escolhas das gerações anteriores os condenaram a um planeta em constante degradação.
Não é incomum encontrar relatos de desespero, raiva e tristeza profunda. É uma realidade que me entristece, mas ao mesmo tempo, inspira-me a ver a resiliência e o ativismo que emerge dessa preocupação.
Eles não se calam, e isso é vital.
Onde o Céu Encontra a Mente: O Impacto dos Extremos Climáticos
É impressionante como as mudanças no nosso ambiente físico podem desequilibrar a nossa mente. Não se trata apenas de nos adaptarmos a um clima mais quente ou a mais chuva; é a incerteza, a perda e o medo que acompanham cada evento extremo.
Eu, por exemplo, sou daquelas pessoas que adora os dias de sol, mas quando o calor se torna insuportável por semanas, sinto a minha energia a esvair-se e a minha paciência a diminuir.
Acredito que esta é uma experiência comum para muitos de nós em Portugal, onde as ondas de calor têm sido particularmente intensas nos últimos verões.
Mas não são só as temperaturas; as secas prolongadas, os incêndios florestais devastadores e até as cheias inesperadas têm um impacto profundo na nossa saúde psicológica.
É o medo de perder a casa, o sustento, ou mesmo entes queridos. É a tristeza de ver paisagens que conhecemos desde sempre a desaparecerem. É um luto ambiental que se instala e que, muitas vezes, não é reconhecido como tal.
A nossa capacidade de lidar com o stress é testada ao limite.
As Noites Tropicais e o Custo do Sono Perdido
Se há algo que me tira do sério é não conseguir dormir bem. E nos últimos anos, as noites quentes, as famosas “noites tropicais” aqui em Portugal, tornaram-se uma constante durante o verão.
É um inferno tentar adormecer com o calor a entrar pela janela, mesmo com ventoinha ligada. E a falta de sono, meus amigos, é um veneno lento para a nossa saúde mental.
Sinto-me mais irritada, menos focada e com uma capacidade reduzida para lidar com os desafios do dia a dia. A privação crónica do sono pode levar ao aumento do stress, à ansiedade e, em casos mais graves, até à depressão.
É um ciclo vicioso: o calor causa insónias, as insónias aumentam o stress, e o stress torna ainda mais difícil adormecer. Parece que estamos sempre numa luta contra a natureza, e isso é exaustivo.
Secas e Incêndios: A Angústia da Incerteza
Ver os noticiários durante o verão em Portugal tornou-se um exercício de coragem para mim. As imagens das florestas a arder, os rostos desesperados das pessoas que perdem tudo, a secura dos campos…
É desolador. E o impacto psicológico disto tudo é imenso. As comunidades que vivem em zonas rurais, especialmente, enfrentam uma angústia constante.
A cada verão, a ameaça de um novo incêndio paira no ar, criando um estado de alerta e ansiedade permanentes. A perda económica é brutal, mas a perda emocional é ainda mais profunda.
Luto pela paisagem, pela memória, pela segurança. Já para não falar da culpa, muitas vezes injustificada, que alguns sentem. Esta incerteza e a sensação de impotência frente a catástrofes naturais são fatores que contribuem significativamente para problemas de saúde mental, como stress pós-traumático, depressão e ansiedade generalizada.
A Selva de Betão e o Nosso Espírito: Vida Urbana e Bem-Estar
Viver numa cidade grande tem os seus encantos, eu sei. A dinâmica, as oportunidades, a cultura. Mas confesso que, por vezes, sinto-me a sufocar no meio de tanto betão e azáfama.
O ambiente urbano, por mais moderno que seja, pode ser um verdadeiro desafio para a nossa saúde mental. A constante exposição ao ruído, à poluição do ar, à falta de espaços verdes e ao ritmo frenético da vida citadina cria um cocktail de stress que nos afeta de formas que nem sempre percebemos.
Tenho reparado que, nos dias em que passo mais tempo em zonas urbanas movimentadas, sinto-me mais cansada, mais impaciente e com uma dificuldade maior em concentrar-me.
É como se a cidade estivesse a drenar a minha energia vital, sem que eu consiga repô-la. E acredito que muitos de vocês, que vivem em grandes cidades como Lisboa ou Porto, se revejam nesta descrição.
É uma batalha diária para encontrar momentos de calma e serenidade.
O Estresse Silencioso da Poluição e do Ruído
A poluição do ar, aquela que não vemos mas sentimos, e o ruído constante dos carros, das obras, das pessoas… estes são verdadeiros ladrões da nossa paz.
Já notaram como um dia particularmente ruidoso vos deixa exaustos, mesmo que não tenham feito nada fisicamente exigente? O ruído ambiental é um fator de stress comprovado, que pode levar a problemas como irritabilidade, insónias, hipertensão e até doenças cardiovasculares a longo prazo.
E a poluição do ar? Para além dos problemas respiratórios que conhecemos bem, estudos recentes sugerem uma ligação entre a exposição à poluição e um maior risco de ansiedade e depressão.
É um inimigo invisível que nos afeta de dentro para fora, minando a nossa saúde mental de forma silenciosa e persistente. Sinto que esta é uma questão que raramente é abordada quando se fala de bem-estar, mas que tem um impacto gigantesco.
Falta de Verde: A Privação da Calma Natural
Quando estou a precisar de recarregar energias, o meu primeiro instinto é procurar um jardim, um parque, um pedacinho de natureza. Mas, infelizmente, nas nossas cidades, estes oásis verdes são cada vez mais escassos ou estão sobrelotados.
A falta de acesso a espaços verdes tem um impacto direto no nosso bem-estar psicológico. A natureza tem um poder restaurador incrível: reduz o stress, melhora o humor, aumenta a criatividade e promove a sensação de bem-estar geral.
Quando estamos privados dessa conexão, sentimo-nos mais agitados, mais deprimidos e com uma menor capacidade de lidar com as pressões do dia a dia. É como se nos faltasse uma vitamina essencial para a alma.
Eu, pessoalmente, tento compensar esta falta com plantas em casa e pequenas idas aos jardins que ainda consigo encontrar, mas não é o mesmo que ter um bosque à porta.
O Abraço da Natureza: O Antídoto para a Alma Agitada
Depois de falarmos sobre tantos desafios, é bom virar a página e focarmo-nos no que nos pode ajudar. E, para mim, não há nada mais poderoso do que a natureza.
É a minha terapia, o meu refúgio, o meu lugar de paz. Quando sinto que o mundo está a girar demasiado depressa, é para o verde que corro. E é incrível como um simples passeio no parque, o som das ondas na praia ou o silêncio de uma floresta podem transformar um dia cinzento num dia cheio de cor e esperança.
Acredito firmemente que reconectar-nos com o ambiente natural é uma das estratégias mais eficazes para proteger a nossa saúde mental neste cenário de mudanças.
Não é por acaso que a ciência tem vindo a comprovar o que os nossos avós já sabiam: estar na natureza faz bem à alma e ao corpo. É um regresso às nossas raízes, uma pausa necessária do mundo digital e da agitação da vida moderna.
Sinto que a natureza nos lembra da nossa própria resiliência e da beleza que ainda existe no mundo.
Terapia Verde: Como um Passeio no Parque Pode Mudar Tudo
Já repararam como, depois de um passeio no campo ou na praia, nos sentimos mais leves, mais calmos, com a cabeça mais limpa? A isso chamam-lhe “terapia verde”, e é real!
Passar tempo em ambientes naturais comprovadamente reduz os níveis de cortisol, a hormona do stress, diminui a ansiedade e melhora o humor. O simples ato de observar uma árvore, de ouvir o canto dos pássaros ou de sentir a brisa no rosto pode ter um efeito restaurador profundo.
Eu, por exemplo, comecei a incluir caminhadas diárias no meu dia, mesmo que seja apenas no jardim mais próximo, e a diferença na minha disposição é notória.
Sinto-me mais energizada, mais focada e com uma perspetura mais otimista sobre os desafios. Não é preciso ir para o fim do mundo; basta encontrar o seu cantinho verde.
Construindo Pontes para a Natureza: Iniciativas Locais
É tão bom ver as comunidades a abraçar a ideia de trazer mais verde para as nossas vidas. Em muitas cidades portuguesas, estão a surgir iniciativas incríveis para criar mais parques urbanos, jardins comunitários e até hortas nos telhados.
Estas são oportunidades fantásticas para nos conectarmos não só com a natureza, mas também uns com os outros. Participar numa horta comunitária, por exemplo, pode ser uma forma maravilhosa de aliviar o stress, aprender algo novo e criar laços com vizinhos.
Sinto que estas pequenas revoluções verdes são essenciais para o nosso bem-estar coletivo e individual.
| Impacto Ambiental | Efeitos Psicológicos Comuns | Estratégias de Resiliência Pessoal |
|---|---|---|
| Ondas de Calor Extremas | Insónia, irritabilidade, fadiga, ansiedade. | Hidratação, ventilação, planeamento de atividades ao ar livre para horas mais frescas, gestão do sono. |
| Secas e Incêndios Florestais | Medo, luto, stress pós-traumático, incerteza, desespero. | Apoio comunitário, participação em ações de prevenção, terapia e aconselhamento. |
| Poluição do Ar e Ruído Urbano | Stress crónico, ansiedade, dificuldades de concentração, irritabilidade. | Exposição a espaços verdes, momentos de silêncio, uso de purificadores de ar, caminhadas na natureza. |
| Perda de Biodiversidade | Tristeza, eco-ansiedade, sentimento de impotência, luto ambiental. | Ativismo ambiental, voluntariado, educação sobre a natureza, criação de espaços verdes em casa. |
Pequenos Passos, Grandes Impactos: O Nosso Poder de Ação

Às vezes, quando pensamos na magnitude dos problemas ambientais, podemos sentir-nos completamente esmagados e sem poder de ação. Eu própria já me senti assim.
Mas a verdade é que cada um de nós tem um papel a desempenhar, e cada pequena escolha conta. Não precisamos de ser super-heróis; basta começarmos por mudar alguns hábitos no nosso dia a dia.
E o mais interessante é que, ao agirmos em prol do planeta, também estamos a cuidar da nossa própria saúde mental. Há uma sensação de propósito e de controlo que advém de fazermos a nossa parte, por mais pequena que pareça.
Essa sensação de contribuir para algo maior do que nós mesmos é um poderoso antídoto para a eco-ansiedade e para a sensação de impotência. Sinto que, ao tomar estas ações, estamos a reforçar a nossa própria resiliência e a construir um futuro melhor, não só para o ambiente, mas também para a nossa mente.
É um ciclo virtuoso.
Consumo Consciente: A Escolha que Faz a Diferença
O que compramos, como compramos e o que deitamos fora – tudo isso tem um impacto. E, felizmente, temos o poder de escolher. Optar por produtos locais, sazonais, com menos embalagens, apoiar empresas sustentáveis e reduzir o desperdício alimentar são pequenas ações que, juntas, fazem uma enorme diferença.
Eu, por exemplo, tenho vindo a tentar adotar o movimento “zero waste” na minha casa, e embora não seja perfeito, cada passo que dou para reduzir o meu lixo faz-me sentir mais alinhada com os meus valores e mais tranquila em relação ao meu impacto no planeta.
É um processo, claro, mas a cada compra consciente, sinto que estou a votar por um mundo melhor. Além disso, ter menos coisas e mais qualidade pode também simplificar a vida e reduzir o stress associado ao consumismo excessivo.
Participação Cívica: A Nossa Voz Pelas Mudanças
Não subestimem o poder da vossa voz! Podemos não ser capazes de parar um tsunami, mas podemos influenciar as decisões políticas e empresariais. Escrever a um deputado, assinar petições, participar em manifestações pacíficas ou juntar-nos a grupos de ativismo ambiental são formas poderosas de mostrar que nos importamos e de exigir mudanças.
Sinto que, ao nos envolvermos, não só estamos a lutar por um futuro mais verde, mas também a fortalecer o nosso próprio sentido de agência e a reduzir a sensação de impotência.
A voz de um pode parecer pequena, mas a voz de muitos é um coro que não pode ser ignorado. E a participação cívica pode também ser uma ótima forma de conhecer pessoas com os mesmos ideais e de construir uma comunidade de apoio.
Cultivando a Resiliência: Ferramentas para Proteger a Mente
Diante de tantas mudanças e incertezas, é fundamental que desenvolvamos ferramentas internas para proteger a nossa mente. Não podemos controlar o tempo, mas podemos controlar a forma como reagimos a ele e como cuidamos do nosso bem-estar psicológico.
Eu, que já passei por momentos de grande stress, aprendi que a resiliência não é algo com que nascemos ou não; é algo que podemos cultivar, como uma planta.
É um processo contínuo de aprendizagem e adaptação, de encontrar a força interior para superar as adversidades e de manter uma atitude positiva, mesmo quando tudo parece desmoronar.
E acreditem, neste cenário de alterações climáticas, ter uma mente resiliente é mais importante do que nunca. É sobre encontrar a nossa calma no meio da tempestade e saber que, independentemente do que aconteça, temos a capacidade de nos reerguer.
Práticas de Mindfulness e a Conexão com o Presente
Uma das ferramentas mais poderosas que descobri para lidar com a ansiedade, incluindo a eco-ansiedade, é o mindfulness. É a prática de focar a nossa atenção no momento presente, sem julgamento.
Quando a nossa mente se perde em preocupações com o futuro ou arrependimentos do passado, o mindfulness traz-nos de volta ao “aqui e agora”, ajudando-nos a gerir o stress e a encontrar uma maior clareza.
Eu comecei com meditações guiadas de 10 minutos por dia e a diferença foi surpreendente. Sinto-me mais calma, mais presente e com uma maior capacidade de responder aos desafios em vez de simplesmente reagir a eles.
É como dar umas férias à nossa mente, permitindo-lhe descansar e recarregar energias.
Redes de Apoio: Partilhar para Superar
Não temos de carregar o peso do mundo sozinhos. Falar sobre as nossas preocupações e medos, especialmente em relação às alterações climáticas, é crucial.
Procurar amigos, familiares ou até grupos de apoio onde se discuta a eco-ansiedade pode ser incrivelmente libertador. Partilhar as nossas experiências e ouvir as dos outros ajuda-nos a sentir que não estamos sozinhos, a validar os nossos sentimentos e a encontrar novas perspetivas e soluções.
Em Portugal, já existem algumas iniciativas e comunidades online que se focam nestes temas, e eu recomendo vivamente a sua exploração. A conexão humana é um dos pilares da resiliência, e é ao partilharmos as nossas vulnerabilidades que nos tornamos mais fortes, juntos.
O Diálogo Necessário: Quebrar o Silêncio Sobre a Saúde Mental Ambiental
Chegamos a um ponto em que não podemos mais varrer estes temas para debaixo do tapete. O impacto das alterações ambientais na nossa saúde mental é uma realidade inegável e precisa de ser discutido abertamente, sem tabus ou medos.
Eu acredito que, como sociedade, precisamos de criar espaços seguros onde as pessoas se sintam à vontade para expressar as suas preocupações, a sua eco-ansiedade e o seu luto ambiental, sem serem julgadas ou minimizadas.
Não é um sinal de fraqueza, mas sim de sensibilidade e de consciência perante a urgência da situação. É crucial que este diálogo aconteça em todos os níveis: nas famílias, nas escolas, nos locais de trabalho e, claro, na esfera pública.
Só assim conseguiremos construir uma sociedade mais resiliente e mais preparada para os desafios que se avizinham, cuidando não só do planeta, mas também de nós próprios.
A Importância de Falar Sem Tabus
Sinto que ainda há um certo constrangimento em falar abertamente sobre como as questões ambientais nos afetam emocionalmente. Muitas vezes, as pessoas têm medo de parecerem “demasiado sensíveis” ou de serem rotuladas como alarmistas.
Mas é precisamente este silêncio que agrava o problema. Quando reprimimos as nossas emoções, elas não desaparecem; acumulam-se e podem levar a problemas de saúde mental mais sérios.
É vital que nos permitamos sentir e expressar a nossa tristeza, raiva ou medo em relação ao estado do planeta. Conversar sobre isso normaliza a experiência e permite-nos encontrar apoio e estratégias de coping.
Eu própria senti uma enorme diferença quando comecei a partilhar as minhas preocupações com amigos e familiares que me entendem.
Recursos e Onde Procurar Ajuda
Se sente que a eco-ansiedade ou outras preocupações ambientais estão a afetar seriamente a sua vida diária, saiba que não está sozinho e que há ajuda disponível.
É importante procurar o apoio de profissionais de saúde mental que estejam familiarizados com estes temas. Em Portugal, estão a surgir cada vez mais psicólogos e terapeutas que se especializam em questões de saúde mental ambiental.
Além disso, muitas associações de defesa do ambiente e grupos comunitários oferecem espaços de partilha e apoio. Não hesite em procurar ajuda se precisar.
Cuidar da sua mente é tão importante quanto cuidar do planeta. E lembrem-se, o nosso bem-estar mental é um recurso precioso que precisamos de proteger, especialmente nestes tempos de mudança.
Para Concluir
Depois de explorarmos juntos este “sussurro da preocupação”, espero que tenham sentido um pouco de alívio ao perceberem que não estão sozinhos nestes sentimentos. A eco-ansiedade é real, é válida e é um sinal da nossa conexão com o mundo. O importante é reconhecer estes desafios e encontrar formas de cultivar a nossa resiliência, tanto individualmente como em comunidade. Ao cuidarmos do planeta, cuidamos de nós próprios, e essa é uma mensagem que me enche de esperança.
Informações Úteis a Reter
1. Reconheçam a vossa eco-ansiedade: É o primeiro passo para a gerir. Os vossos sentimentos são válidos e muitas pessoas partilham destas preocupações. Não se sintam sozinhos nesta jornada.
2. Conectem-se com a natureza: Mesmo pequenos momentos num parque ou jardim podem fazer uma enorme diferença na vossa saúde mental. Aproveitem o ar livre e sintam a sua força restauradora.
3. Tomem ações positivas: Contribuir, mesmo que com pequenos gestos (como reduzir o consumo ou reciclar), pode diminuir a sensação de impotência e aumentar o vosso sentido de agência. Cada passo conta.
4. Procurem apoio e partilhem: Falar sobre as vossas preocupações com amigos, família ou grupos de apoio pode ser muito libertador e ajudar a encontrar novas perspetivas. A união faz a força.
5. Priorizem o autocuidado: Em tempos de incerteza, cuidar da vossa saúde mental é fundamental. Mindfulness, sono adequado e uma boa alimentação são essenciais para manter a mente equilibrada.
Resumo dos Pontos Chave
A saúde mental e o ambiente estão intrinsecamente ligados, e a eco-ansiedade é uma resposta natural aos desafios climáticos. Os extremos do tempo afetam diretamente o nosso bem-estar psicológico, enquanto o ambiente urbano impõe stress silencioso. No entanto, a conexão com a natureza é um poderoso antídoto. Lembrem-se que ações individuais, aliadas à participação cívica, são cruciais. Cultivar a resiliência através do mindfulness e de redes de apoio é vital, e quebrar o silêncio sobre a saúde mental ambiental é um passo fundamental para um futuro mais equilibrado e consciente para todos nós.
Perguntas Frequentes (FAQ) 📖
P: Afinal, o que é esta “eco-ansiedade” de que tanto se fala, e como é que ela se manifesta no nosso dia a dia?
R: Ah, a eco-ansiedade! É um termo que, infelizmente, está a tornar-se cada vez mais familiar. Basicamente, é aquele sentimento persistente de preocupação, medo ou até tristeza profunda que nos assola quando pensamos nas ameaças ambientais que o nosso planeta enfrenta.
Sabem aquela sensação de impotência ao verem as notícias sobre incêndios devastadores, cheias que levam tudo ou a perda de espécies? É isso. Não é só um receio abstrato; manifesta-se no nosso dia a dia como uma inquietação constante, problemas para dormir porque a mente não desliga das catástrofes, ou até uma sensação de luto pelo que já perdemos da natureza.
Eu mesma já me peguei a suspirar profundamente ao ver um documentário sobre o degelo, sentindo um nó na garganta. É como se a nossa mente estivesse a processar uma ameaça real, mas que muitas vezes parece grande demais para as nossas mãos.
E o pior é que atinge pessoas de todas as idades, mas vejo muitos jovens a sentir um peso enorme nos ombros, preocupados com o futuro que vão herdar.
P: Em Portugal, quais são os maiores fatores ambientais que estão a afetar a nossa saúde mental, e como é que os podemos reconhecer?
R: Por cá, em Portugal, também estamos a sentir na pele as mudanças. Os fatores que mais impactam a nossa mente são, sem dúvida, as ondas de calor que parecem não ter fim – quem nunca se sentiu exausto, irritado ou com dificuldade em concentrar-se durante uma semana a 40 graus?
As secas prolongadas também nos trazem uma angústia enorme, especialmente para quem vive da terra ou tem uma ligação forte com a natureza, porque vemos a paisagem a mudar, a vida a murchar.
E claro, a poluição, muitas vezes silenciosa, mas sempre presente nas nossas grandes cidades. O ar que respiramos, o barulho constante do trânsito, a falta de espaços verdes…
tudo isso contribui para um stress crónico, para a sensação de estarmos sempre “ligados” e para uma diminuição da nossa capacidade de relaxar. Eu sinto uma diferença brutal no meu humor e níveis de energia quando consigo passar uns dias fora da cidade, num sítio mais tranquilo e com ar puro.
É como se o nosso corpo e mente estivessem em constante estado de alerta, e isso, a longo prazo, cobra o seu preço na nossa saúde mental, aumentando a ansiedade e até a depressão.
P: Diante de tudo isto, o que podemos fazer para proteger a nossa mente e cuidar do nosso bem-estar psicológico face às alterações ambientais?
R: Essa é a pergunta de ouro, não é? A boa notícia é que não estamos totalmente impotentes! Primeiro, é fundamental reconhecer e validar estes sentimentos.
Não se sintam mal por sentirem ansiedade ou tristeza. Depois, e isto é algo que aprendi a fazer: passem mais tempo na natureza. Mesmo que seja um parque na cidade, a ligação com o verde tem um poder curativo incrível.
Eu costumo dizer que a natureza é a minha “terapia gratuita”. Limitem a exposição a notícias sobre catástrofes; é importante estarmos informados, mas um “detox digital” de vez em quando faz maravilhas.
Procurem também formas de agir, mesmo que em pequena escala. Juntar-se a um grupo ambiental, reciclar mais, consumir de forma mais consciente… essas pequenas ações dão-nos um sentido de propósito e controlo, combatendo a impotência.
E o mais importante: falem sobre o assunto. Partilhem os vossos medos e preocupações com amigos, família ou até com um profissional de saúde mental. Saber que não estamos sozinhos nesta jornada é um alívio enorme.
Lembrem-se, cuidar do planeta começa por cuidar de nós mesmos!






